Quinta-feira, Julho 14, 2005

Palavras?

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Só o silêncio me ocorre...
Procuro apenas a serenidade deste momento, para nada sentir, ou para sentir nada.
Abstrair-me só e apenas de todo e qualquer conceito.
Sentir profundamente a natureza plena de coisas, sem delas ter dó, ou compaixão.
Sentir-me só, em suma, sentir o mundo inteiro, ou o mundo inteiro sentir.
Pensar em nada, ou em nada pensar, sem para isso deixar de existir... E é tão bom existir, só e apenas, sem em nada pensar.
Nem uma única palavra ouvir, deixar apenas a música soltar-se, alheia às palavras, sentindo apenas a sua melodia compassada e deixar-me apoderar pelo todo, pela vida inteira, sem ver dó ou compaixão.
Adormecer, pela simples vontade de o assim ser, e não pela obrigação desesperante de dormir para nada sentir, e sentir simplesmente pelo acto único e profundamente belo da sua representação abstracta, mas marcante.
Trazer a felicidade às costas, na satisfação constante de pertencer a todo o lado, de ser cidadão do mundo.
Deixar que o coração aos poucos se entregue ao tempo lento e fugaz, para trazer calma e serenidade.
Ser a vida a fazer parte do sonho e não o sonho a fazer parte da vida.
Deixar que sem querer o suor das mãos se desvaneça.
Ah palavras! Porquê as palavras... Ah! que paixão pelas palavras... elas que nos matam e que nos dão vida, que se acabam e que nunca mais acabam... As palavras!
Irra as palavras!
Nunca foram demais... (foram sempre demais...). Que obsessão com as palavras...
Acabaram-se as palavras?!

1 Comments:

Blogger Mistinguette said...

(suspiro) transpareces Alberto Caeiro. nas emoções... e palavras :)

7:51 PM  

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